homem sentado no sofá com crise de epigastralgia

Imagine terminar uma refeição mais pesada e, pouco tempo depois, perceber uma dor, queimação ou pressão na região central e superior da barriga, logo abaixo do peito. Esse pode ser um caso de epigastralgia, que é um desconforto momentâneo em algumas ocasiões, mas que pode se repetir com frequência e interferir na rotina ¹.

Quando surge, é comum tentar descobrir o que pode ser dor na boca do estômago. Pois bem, embora muitas vezes esteja relacionada à má digestão, gastrite, refluxo ou hábitos alimentares, a dor epigástrica também pode estar associada a outras condições que exigem atenção. Por isso, observar a intensidade, a duração e os sintomas associados é fundamental para compreender melhor o quadro ¹.

Nos parágrafos seguintes, descubra as causas mais comuns da epigastralgia, aprenda a identificar os sinais, saiba como aliviar a dor e entenda quando procurar ajuda médica.

Continue a leitura e confira também os sintomas de hérnia epigástrica e como é feito o diagnóstico de epigastralgia para identificar corretamente a origem do desconforto.

Resumo

  • Podemos definir o que é epigastralgia como uma dor que se manifesta na boca do estômago, que compreende o abdômen superior, entre as costelas e o umbigo 1, 2.
  • O epigástrio abrange vários órgãos, inclusive esôfago, estômago, pâncreas, fígado, vesícula e parte do intestino 1, 2.
  • As causas mais comuns são gastrite, indigestão, dispepsia funcional, refluxo gastroesofágico, esofagite e pedra na vesícula. O quadro pode se manifestar ou se agravar a partir de transtornos de ansiedade e estresse, hábitos alimentares excessivos, obstruções, câncer e, raramente, problemas cardíacos. 1-5

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O que é epigastralgia?

Refere-se à dor ou desconforto localizado na parte central do abdômen superior, entre as costelas e o umbigo, região popularmente conhecida como “boca do estômago”. Pode variar de leve a intensa e costuma estar associada a alterações digestivas, como gastrite, refluxo, alimentação inadequada ou estresse 1, 2.

Durante a gravidez, esse tipo de incômodo é relativamente comum, devido ao desenvolvimento do feto 1, 4.

Para obter um diagnóstico preciso e indicações adequadas ao tratamento, procure atendimento médico especializado, preferencialmente um gastroenterologista ².

Quais são os sintomas de epigastralgia?

Ao considerar as causas e os gatilhos prováveis, o quadro costuma vir acompanhado de 2, 3:

  • sensação de queimação persistente na parte alta do abdômen;
  • acidez frequente, com gosto amargo ou ácido;
  • arrotos repetidos após comer ou beber;
  • gases acompanhados de sensação de pressão interna;
  • náusea leve, às vezes relacionada à alimentação;
  • cólicas ou dor localizada na região superior;
  • sensação de estufamento e digestão mais lenta.

Em outros casos, pode ocorrer vômito, diarreia, distensão abdominal e pontadas latejantes. A lista de sintomas, bem como a ordem e a maneira como se manifestam, oferece bons indicativos sobre a causa do problema 2, 3.

O que pode ser dor na boca do estômago?

Diversas condições podem provocar esse tipo de dor, como 1-5:

  • dispepsia funcional: desconforto ligado à sensibilidade gástrica aumentada;
  • indigestão: sobrecarga do estômago após refeições pesadas;
  • refluxo gastroesofágico: retorno do ácido ao esôfago;
  • esofagite: inflamação que provoca dor, queimação e dificuldade para engolir;
  • pedra na vesícula: gera dor após alimentação rica em gordura;
  • estresse e ansiedade: alteram a motilidade e aumentam a dor;
  • hábitos alimentares prejudiciais: excesso de álcool, cafeína, frituras e longos jejuns;
  • gastrite: inflamação associada à infecção, medicamentos ou alimentação.

Entenda detalhadamente cada uma das possíveis causas.

1. Dispepsia funcional

A dispepsia funcional é uma forma crônica de indigestão, geralmente sem causa “mecânica” aparente. Nesse caso, os sintomas são reais e observáveis. Contudo, não é possível determinar o gatilho do quadro inflamatório 4.

Existem duas formas principais de dispepsia funcional 5:

  • síndrome de dor epigástrica: conjunto de sintomas que afeta apenas o abdômen superior e inclui dor e queimação;
  • síndrome do desconforto pós-prandial: fase do mal-estar que ocorre após as refeições e pode provocar náusea, inchaço e sensação antecipada de estômago cheio.

2. Indigestão

A indigestão é a forma tradicional de dispepsia, quando os gatilhos e as causas são facilmente identificáveis. Essa condição pode ser aguda, provocada por refeições volumosas, consumo de álcool ou uso de medicamentos que irritam o estômago 1, 2, 4.

Por outro lado, a indigestão crônica (dispepsia recorrente) pode resultar de esvaziamento gástrico lento, úlceras, infecções bacterianas e refluxo 4.

3. Refluxo gastroesofágico

O refluxo gastroesofágico é uma doença com sintomas recorrentes, que pode fazer com que o conteúdo do estômago suba pelo esôfago. Nessas condições, é possível sentir queimação, hiperacidez, enjoo, irritação e um gosto amargo no fundo da garganta 1, 2.

4. Esofagite

A esofagite é a inflamação do tecido conjuntivo que reveste o esôfago. Em muitos casos, é uma das consequências do refluxo, pois o ácido estomacal pode lesionar as paredes do duto que leva os alimentos até o estômago 1, 2.

5. Pedra na vesícula

A presença de cálculos ou pedras na vesícula biliar pode causar cólicas no epigástrio, especialmente se o órgão estiver inflamado ou obstruído. Nessa condição, além de dor intensa após as refeições, pode haver perda de apetite, amarelamento da pele (icterícia), gases e inchaço 2, 4, 5.

6. Fatores psicológicos

Problemas relacionados à saúde mental podem manifestar sintomas físicos e, muitas vezes, afetam o trato gastrointestinal. Desse modo, distúrbios de estresse, ansiedade e depressão atuam tanto como causas quanto como agravantes da epigastralgia ².

7. Hábitos alimentares excessivos ou prejudiciais

Certas atitudes e hábitos alimentares podem irritar os órgãos e tecidos da região epigástrica. Nesse contexto, as possíveis causas são 2, 4:

  • comer demais;
  • comer muito rápido e sem mastigar direito os alimentos;
  • consumir em excesso alimentos indigestos, condimentados e/ou gordurosos, como embutidos, ultraprocessados, frituras e comidas picantes;
  • passar muitas horas sem comer;
  • consumir excessivamente bebida alcoólica, café e/ou refrigerantes.

8. Gastrite

A gastrite aguda é a inflamação da parede estomacal, hipersensibilizada após exposição ao suco gástrico. É similar à esofagite, mas, nesse caso, o órgão atingido é, especificamente, o estômago 1, 2.

Além desses fatores, a epigastralgia pode surgir em casos de 1, 5:

  • gravidez;
  • infecção por bactéria H. pylori;
  • infecção na bexiga;
  • obstruções nos intestinos ou nos dutos biliares;
  • hérnias, úlceras e câncer;
  • síndrome do intestino irritável;
  • distúrbios hepáticos;
  • problemas cardíacos.

Como é feito o diagnóstico​ de epigastralgia?

A investigação começa com uma conversa detalhada sobre os sintomas, incluindo localização da dor, frequência, intensidade e situações em que o desconforto piora. O médico também analisa hábitos alimentares, consumo de bebidas alcoólicas, uso de medicamentos, presença de refluxo, histórico de doenças digestivas e fatores emocionais, como estresse e ansiedade 2, 3.

Além da avaliação clínica e do exame físico, exames complementares podem ser solicitados para identificar a causa do desconforto. A endoscopia digestiva alta é um dos principais recursos, pois permite visualizar diretamente as paredes do esôfago, estômago e duodeno 2, 3.

Dependendo do caso, exames de sangue, testes para infecção por Helicobacter pylori e exames de imagem também podem fazer parte da investigação 2, 3.

Durante a investigação, o médico considera diferentes possibilidades para explicar os sintomas, inclusive a hérnia epigástrica, condição que pode causar desconforto localizado e merece atenção especial ³.

A seguir, entenda quais são os sintomas mais comuns desse quadro ³.

Quais são os sintomas de hérnia epigástrica?

Observe os seguintes sinais 1, 3:

  • protuberância ou pequeno abaulamento na parte superior do abdômen, entre o umbigo e o tórax;
  • dor ou desconforto localizado, principalmente ao tossir, levantar peso ou fazer esforço;
  • sensação de pressão ou peso na região afetada;
  • sensibilidade ao toque sobre a área da hérnia;
  • desconforto que pode piorar após atividades físicas ou movimentos repetitivos.

Porém, em alguns casos, os sintomas são ausentes, com descoberta apenas durante exame médico 1, 3.

No próximo tópico, entenda quais hábitos podem contribuir para prevenir dores abdominais e outros desconfortos digestivos.

Como prevenir dores abdominais? 4 dicas

Pequenas mudanças de hábito ajudam a prevenir esse desconforto, como 1-4:

  • adotar uma boa dieta para epigastralgia: priorize alimentos leves, pouco gordurosos, e evite excessos de café, álcool e frituras, que irritam a mucosa gástrica;
  • evitar passar muito tempo em jejum: longos intervalos aumentam a acidez e favorecem desconfortos;
  • comer porções menores e mastigar bem: facilita a digestão e reduz a sobrecarga do estômago;
  • cuidar da saúde mental: estresse e ansiedade interferem diretamente na função digestiva.

Entenda cada uma dessas dicas para evitar o desconforto que é a epigastralgia.

1. Adote uma boa dieta para epigastralgia

Uma dieta saudável pode amenizar, controlar e prevenir sintomas. Em geral, vale aumentar o consumo de frutas, vegetais, cereais integrais, leite desnatado, carnes magras e peixes. Se necessário, peça um plano alimentar para seu médico 1, 2.

2. Evite passar muito tempo em jejum

Passar muito tempo em jejum pode causar sensibilidade no trato digestivo e desencadear reações adversas quando finalmente se alimentar. Procure comer em intervalos menores, intercalando as refeições principais com pequenos lanches 3, 4.

3. Coma porções menores e mastigue bem os alimentos

Conforme mencionado, refeições muito grandes podem causar epigastralgia, pois superam o limite de volume aceitável para o estômago ³.

Neste caso, planeje a dieta com mais cuidado e não exagere no tamanho da porção ingerida. Além disso, sempre mastigue bem os alimentos antes de engolir ³.

4. Cuide da sua saúde mental

Distúrbios psicológicos podem ter consequências físicas. Portanto, é essencial cuidar da sua saúde mental, assim como do corpo. Estresse, ansiedade e depressão são problemas reais que podem ser tratados com terapia e medicação 2, 4.

FAQ - Dúvidas frequentes sobre o que é epigastralgia

Sentir dor na boca do estômago pode ser mais que má digestão?

Além de alterações digestivas passageiras, o desconforto nessa região pode estar associado à gastrite, refluxo gastroesofágico, úlcera, hérnia de hiato, cálculos na vesícula, inflamações do trato digestivo e até fatores emocionais, como estresse e ansiedade. Sintomas frequentes, intensos ou persistentes requerem avaliação médica para identificar a causa ¹.

Quando dor na boca do estômago e arrotos são preocupantes?

Deve-se buscar avaliação médica quando os sintomas são persistentes, intensos ou acompanham sinais, como perda de peso involuntária, vômitos frequentes, dificuldade para engolir, anemia, fezes escuras ou dor que desperta à noite. Histórico familiar de doenças digestivas, uso contínuo de anti-inflamatórios ou piora progressiva também exigem investigação clínica adequada ¹.

Qual o tratamento indicado para a epigastralgia?

Sob orientação profissional, sintomas leves e ocasionais podem melhorar com o uso de antiácido efervescente, que reduz a acidez e alivia o desconforto. Ainda assim, é importante evitar automedicação, pois o quadro pode estar relacionado a medicamentos, hábitos alimentares ou outras condições que exigem avaliação médica 1, 2, 4.

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Sobre o autor

Dr. Márcio de Queiroz Elias

Trabalha na indústria Farmacêutica desde os anos 2000, vindo a atuar nas áreas de Saúde Feminina, Consumer Health, Clínica Geral, Pediatria, Dor e Inflamaç

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